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Expressão Corporal e a “Caixa Preta”

       Quando observamos o comportamento de uma pessoa, quase nunca conseguimos perceber e identificar os pequenos gestos e expressões que ela faz. Esses movimentos são sentimentos e emoções que não dizemos com palavras. Saber identificá-los pode ser muito útil ao conhecermos alguém. O que estamos acostumados é apenas ouvir e não observar. Ao agir de tal maneira, deixamos passar detalhes que podem ser bastante importantes numa conversa.

      Com o objetivo de interpretar corretamente essas expressões e gestos involuntários das pessoas, temos que nos afastar por um momento do nosso sentido auditivo e passar a explorar o nosso sentido visual. Apenas olhando, observando o comportamento de alguém sem nos prendermos ao que se passa ao nosso redor, e sem nos deixar envolver pelo que ela queira nos passar verbalmente, conseguiremos perceber seus pequenos movimentos e o que eles significam.

      O texto de V. Flusser, “Filosofia da Caixa Preta”, afirma que, para fugirmos da alienação, devemos explorar a máquina que usamos. A máquina fotográfica, no caso, deve ser branqueada pelo fotógrafo a fim de criar imagens livres e fugir do mundo programado pelos aparelhos.

     Fazendo uma relação entre a “Filosofia da Caixa Preta” e expressão corporal, podemos dizer o cérebro deve ser utilizado da mesma forma que a máquina fotográfica.

     Segundo o pensamento de Flusser, é correto dizer que, do mesmo modo que branqueamos as máquinas, devemos branquear nosso cérebro e usá-lo para observarmos outra forma de comunicação que não estamos habituados. Como o cérebro, de certa forma, é uma máquina, nós não temos total controle sobre ele e não conhecemos toda a sua capacidade. Mas sabe-se que, ao treiná-lo para certa atividade, nós adquirimos uma habilidade que se torna cada vez mais automática, e passamos a realizar essa atividade inconscientemente. Para compreender melhor tal ideia, basta colocarmos aqui um simples exemplo: Quando uma pessoa aprende a dirigir e tem suas primeiras experiências no volante, ela se sente bastante insegura, pois não está acostumada a passar por essa situação. Porém, ao ser praticada frequentemente, tal atividade torna-se um hábito, fazendo com que o ser cérebro memorize os movimentos, que passam a ser automáticos.

     Quando conversamos com alguém ou simplesmente ouvimos este alguém falar, nos concentramos mais no que sai de sua boca (na fala), do que nos seus gestos e expressões corporais. O que muitos não compreendem é que podemos mentir com palavras, mas, muito dificilmente, com nosso corpo.

     Então, para que possamos conhecer e entender a pessoa que nos fala ou que apenas observamos de longe, deve haver um treinamento da mente. É preciso branquear o cérebro para que o usemos de maneira que as palavras formem uma informação, juntamente com os movimentos involuntários do outro, suas pequenas expressões e movimentos. A mensagem ganhará um novo significado e, com certeza, passaremos a compreender o outro de forma totalmente diferente. Em outras palavras, devemos explorar o nosso cérebro com mais frequência para que possamos nos tornar mais habilidosos e, consequentemente, capazes de decifrar aquilo que os movimentos querem nos dizer, até mesmo numa simples conversa.

     Assim, podemos dizer que o verbo “’branquear” aqui usado se refere ao uso ilimitado do cérebro. Este é capaz não somente de compreender as palavras ditas por alguém, mas suas expressões faciais e corporais, os quais transmitem uma mensagem importante e, muitas vezes, completamente ignorada pelo receptor.

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